Realize um batismo indígena com a Aldeia Tatuyos

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Você sempre sonhou em conhecer de perto uma Aldeia Indígena na Amazônia mas não sabe por onde começar?

Quer evitar passeios feitos só pra turista ver?

Deseja vivenciar uma experiência engrandecedora com os povos tradicionais do Brasil?

Escrevemos esse post para você.

breu branco aldeia

Assim como você, a pessoa por trás da tela que escreve esse texto é apaixonada por viagens. Mas não por qualquer uma: sou uma apaixonada por viagens que me permitem uma conexão verdadeira com os lugares e, principalmente, com as pessoas que os habitam.

Muitos brasileiros têm o sonho (ou seria um chamado?) de se reconectar com os povos indígenas. Porém, comumente caímos no medo de viver uma experiência inserida na lógica do turismo de massa. Existe uma alternativa de turismo mais respeitosa, consciente e engrandecedora e nós vamos te contar como é.

Visitando a Aldeia Tatuyos

A Aldeia Tatuyos, localizada nas margens do Rio Negro, é composta por povos de diferentes etnias indígenas. São pessoas que vieram de outras regiões da Floresta Amazônica, tanto dentro do Brasil quanto de países vizinhos, e se juntaram em um único local, formando assim o vilarejo onde vivem até hoje com suas famílias.

Como chegar na Aldeia

A aldeia fica relativamente perto da cidade de Manaus, porém só é acessada pelo Rio Negro. Ou seja, você precisa de um barco ou lancha para chegar lá.

Na nossa vivência Amazenuma vivência de resgate ancestral, imersão ribeirinha e conexão ecológica na Amazônia, costumamos realizar a visita à aldeia no último dia da viagem. Sendo assim, saímos de lancha da Caboclos House Ecolodge – a pousada de selva onde a Amazen acontece – e seguimos rumo à aldeia, em um trajeto de 30 minutos. Ficamos na aldeia por algumas horas e então seguimos direto para Manaus, em um trajeto de mais 30 minutos.

Na Amazenuma vivência de resgate ancestral, imersão ribeirinha e conexão ecológica na Amazônia -, todos esses trajetos são feitos de lancha rápida, o que encurta os tempos de deslocamento. Se você fizer os trajetos em voadeiras ou outras embarcações, considere durações um pouco mais longas no seu planejamento.

Aldeia Indígena Amazônia 02

O que fazemos na Aldeia

Ao chegar na Aldeia Tatuyos, desembarcamos de lancha na beira do rio e subimos um pequeno morro, até chegar em uma grande oca. Somos recebidos pelo cacique Pinô e outros membros da comunidade. É nessa oca onde as atividades acontecem.

Na visita tradicional, sentamos em bancos nas laterais da oca, enquanto o Pinô nos apresenta a aldeia. Ele compartilha tradições indígenas e histórias de sua família, como ritos de passagem e práticas costumeiras em casamentos indígenas.

Depois disso, a aldeia toda se junta para apresentar danças típicas que fazem parte de rituais que são realizados até os dias de hoje.

Benção e batismo indígena

Durante a Amazen, costumamos chegar antes do momento de iniciar as tradições e danças para que os viajantes possam fazer algo a mais: receber uma benção indígena. Essa é uma experiência adicional, que cada um pode escolher realizar ou não.

Todos que querem participar se sentam em círculo no centro da oca e dizem seu nome para um dos membros da aldeia. O cacique então realiza um ritual de benzimento de cada um, com instrumentos musicais típicos e dizeres em sua língua nativa. Nesse momento, o cacique verbaliza o nome indígena atribuído a cada pessoa.

É um momento de muita emoção e poder – difícil quem não fica tocado! Só estando lá para sentir na pele o que significa.

Finalizado o círculo, cada um se direciona a uma tocha acesa, onde o cacique explica o significado do nome recebido. Ele finaliza o ritual utilizando a fumaça da resina do breu branco, que limpa, purifica e legitima a benção. Esse é um dos momentos mais emocionantes da Amazen.

turismo em aldeia indígena

Artesanato e pinturas corporais

Ao encerrar o batismo, as danças e as histórias, ainda podemos aproveitar para explorar essa experiência no nosso tempo. Podemos conversar com membros da aldeia, que estão sempre abertos a bater um bom papo e trocar vivências.

A Aldeia também vende peças artesanais confeccionados por eles mesmos. Cada família da aldeia tem sua própria venda com peças que vão desde colares, pulseiras e cocares, até cestaria, instrumentos musicais e gamelas.

Além disso, você também pode realizar pinturas corporais com tintas naturais. É possível fazer tanto pinturas que saem com água, tendo como base o urucum, como pinturas que duram alguns dias ou mesmo semanas, utilizando o jenipapo. Cada família realiza desenhos com traços diferentes de acordo com sua etnia.

pintura corporal jenipapo

Afinal, é só pra turista ver?

Preciso te contar uma verdade: toda aldeia indígena que possa ser visitada por um turista é uma aldeia que realiza atividades turísticas de algum cunho. Se ela não tivesse o turismo como fonte de renda, ou se não estivesse aberta a receber viajantes, provavelmente nenhum turista poderia adentrá-la. Faz sentido?

Isso significa que a aldeia perdeu sua essência? Ou que você terá acesso a algo que não é genuíno? Ou que as atividades que a aldeia mostram aos viajantes são “só pra turista ver”?

No caso da Aldeia Tatuyos, a resposta é não!

O turismo veio tanto como uma alternativa de renda, como de manutenção e propagação de suas tradições. O viajante que conhece de perto uma aldeia se relaciona com essa comunidade e tende a respeitar, honrar e lutar muito mais pelos povos originários do Brasil.

Fica nosso convite para essa viagem de volta

Costumamos dizer que a Amazen é uma viagem de volta: de conexão com nossas origens e com nossa ancestralidade. Somos extremamente gratos à Aldeia Tatuyos, que abre as portas de sua casa para nos receber, ensinar e trocar, e possibilitar que esse resgate aconteça, com muito respeito.

Se essas palavras ressoaram em você, conheça a vivência Amazen.